Dicas Preciosas Sobre a Disneyland Paris

Em 2012, escrevi um artigo sobre a Disneyland Paris (leia aqui), que é um dos mais acessados do blog. Por isso, como estive lá agora (quatro anos depois), resolvi ratificar alguns itens com informações que mudaram de lá para cá ou precisam de complemento.

• Como aproveitar o tempo na Disney?
Aqui eu havia falado sobre o fast pass, que dá acesso sem filas aos brinquedos. Descobri que você não pode pegar mais de um fast pass de cada vez. Ou seja, você não pode ficar em duas filas ao mesmo tempo, mesmo que elas sejam virtuais. O sistema do parque identifica que você já tem um brinquedo agendado com fast pass e não deixa pegar o de outro até expirar o prazo de entrada do primeiro.

• Quanto custa e como comprar os ingressos para a Eurodisney?
Aqui eu havia falado do ticket Francillien, disponível no site da Fnac. Pois não sei se ele ainda existe. Comprei desta vez, no site da própria Disneyland Paris, o ticket MINI 1 day/2 parks, que custou €62 para adultos e €55 para crianças. A partir de 12 anos seu bebê crescidinho já é um adulto para eles. Esse ticket dá acesso ao parque em qualquer dia de semana (mediante consulta em um calendário que eles disponibilizam — alguns dias estão bloqueados para esse ticket, como feriados e tal. Em algumas épocas do ano, esse mesmo ticket fica mais barato ainda e é chamado de Special MINI 1 day/2 parks: €47 para adultos e €40 para crianças.

• Como eu chego à Eurodisney?
Esqueça praticamente tudo que escrevi neste item. A RATP (companhia de transportes local) expandiu a abrangência do passe de transporte público integrado. Antes, com um ticket, você só podia transitar na zona 1 e 2 de Paris. Agora, pode ir até a 5! Ou seja, Marne-la-Vallée, onde ficam os parques da Disney, está dentro da área de cobertura. Você gasta apenas €1,90. Vá de metrô até uma estação da linha 2 do RER e siga para seu destino com esse trem.

É isso. Espero que tenha uma boa jornada!

Internet no Celular em Paris

Senado francês, celular
Menina tirando foto com o celular no Senado francês, Senat.

 

 

 

 

 

 

 

 

Se você pretende viajar e quer ter internet no celular em Paris, encontrei em janeiro de 2017 a melhor opção.

Em 2012, havia estado na cidade e consegui um plano da Orange, com internet ilimitada, por um total de 19,90€ (veja aqui). Era um pré-pago com validade de um mês. Perfeito para minha necessidade na ocasião e atualmente. Porém, este plano não existe mais. Nem mesmo existe plano algum de 3G/4G ilimitado, o que é um saco, pois ninguém quer ficar controlando o que consome de banda, muito menos ficar sem internet quando mais precisar.

Pois desta vez, pesquisando por todas as operadoras de celular disponíveis em Paris, me deparei com a Free. Trata-se de uma empresa de telefonia fixa, internet e TV a cabo que, parece, ingressou há pouco com planos de móvel. Como falei eles não têm também opção de dados ilimitados, mas há uma que você só vai conseguir acabar com a franquia se ficar assistindo Netflix durante toda sua viagem. O que eu acho que não tem como acontecer com ninguém que visitar Paris. Tratam-se de absurdos 50Gb de transferência por mês! Se você também precisa de outras formas de comunicação, como voz e SMS, esse plano oferece ligações ilimitadas para as regiões metropolitanas da França, SMS ilimitados para toda Europa e chamadas também ilimitadas para outros 100 locais fixos.

O valor é 19,99€ mais o cartão (chip ou SIM card, como você preferir chamar) que, creio, você ainda não possui, de 10€. São 29,99€ para um mês. Não é uma bagatela, mas é o melhor que achei.

Para adquirir é muito fácil. Basta você ir a uma loja da Free. Li na Internet que havia duas, mas só encontrei uma. O endereço é 8 Rue de la Ville-l’Évêque, próximo à praça da Concórdia. Todo processo é feito por um terminal de autoatendimento. Você precisa optar pelo plano (basta ficar de olho nos “50Gb” — não confunda com os “50Mb” do outro plano — e no preço: “19,99€”). O passo a passo do sistema irá lhe conduzir e perguntar se deseja o plano por apenas um mês ou continuamente. Lembre-se que essa informação é importante, pois o plano não é pré-pago, mas de conta. Optando por apenas um mês, ele será cancelado após esse prazo. Será solicitado seu email, nome e endereço em Paris. Serve o do hotel. Eles não o irão usar para nada. Nenhum documento é exigido. Irá perguntar também o formato do seu cartão, se mini ou nano, e lhe cobrar mais 10€ pelo chip. Atente a isso ou não vai encaixar no seu smartphone. Você paga com cartão de crédito e pronto, a máquina cospe seu chip. Se o modelo do seu telefone precisa de um alfinete para retirar o SIM card, peça a um atendente para lhe ajudar pois ele tem a ferramenta. Voilá! Saia usando imediatamente. Sempre que desligar e ligar seu telefone, será lhe solicitado o código PIN do cartão. Parece que é padrão o “1234”. Está escrito na embalagem que você recebeu.

Se ligue quando abrir seu Whatsapp. Ele perguntará (sempre acontece quando você troca de chip) se deseja mudar o seu número padrão para seu perfil no aplicativo. Se você pretende usar apenas provisoriamente seu número francês, não mude! Ou vai bagunçar a sua vida e seus contatos do “zap-zap”.
Como, acredito, todas as empresas de telefonia móvel de Paris, a Free Mobile tem redes wi-fi espalhadas pela cidade que irão conectar automaticamente no seu celular sempre que estiverem próximas para poupar os dados do seu plano. Pessoalmente, em todas as experiências que tive com elas, não valia a pena. Ou não funcionavam direito ou eram mais lentas que o 3G/4G da região. Desligue o wi-fi se isso ficar atrapalhando. A cobertura da rede 3G/4G é ótima e só funciona com deficiência no metrô, por exemplo. No geral, é bem melhor que no Brasil.
É bom ficar atento também se seu aparelho celular é compatível com o sistema de telefonia da França. Os iPhones brasileiros, a partir do 5S, tenho certeza que são.

É isso! Espero ter ajudado e bon voyage!

SAC Praia Vermelha

DSC05081.JPG

Hoje fomos à Praia Vermelha, encravada entre Ouvidor e Rosa, ainda no município de Garopaba, SC. O lugar possui 480 metros de areia e é pouco conhecido pelos turistas, devido a seu acesso restrito a trilhas nos morros, tanto do lado de quem vem do Rosa, como do Ouvidor. É uma caminhada de cerca de meia hora, com trajeto bem sinalizado e cuidado, degraus e pontes bem construídos, inclusive com lixeiras, digamos, periódicas. A família Gerdau é dona de toda a área (há quatro casas) e enfrentou embates judiciais a partir da década de 90, pois mantinha fechado o acesso à praia. Reza a lei que praia é um bem público e deve ser garantido o trânsito livre a quem quer que seja. Os pescadores locais entraram com uma ação para garantir seu direito e, de quebra, o meu, de visitar um local tão incrível. Pelo que entendi estudando a respeito, os Johannpeter (pronuncia-se “Gerdau”) foram obrigados judicialmente a não só dar acesso como mantê-lo aberto e estruturado. Um pescador da família responsável pela ação nos disse que quem mantinha as trilhas eram quatro entidades locais, incluindo a tal associação. Não sei.

DSC05102.JPG

Mas nosso amigo Beto, que nos levou lá, prometeu uma praia deserta e um quiosque onde poderíamos fazer nossa farofada e proteger-nos do sol. Chegamos às 10:30 da manhã, com a intenção de passar o dia. A trilha longa e o calor impossibilitavam que fôssemos carregados de cadeiras e guarda-sóis, mas o oásis ao final seria a recompensa. Quando avistamos aquele pedaço de paraíso, percebi que o termo “deserta”, hoje em dia, tem outro significado. Nos quase 500 metros de extensão, apenas umas 30 pessoas se banhavam no mar. Ninguém na faixa de areia, devido ao sol extremo. Avistamos o quiosque muito bem feito pelos moradores — único local com sombra — mas estava ocupado. Provavelmente, pensamos, tratava-se da família que passava temporada em uma das casas do lugar, pois estavam com certa infraestrutura de cadeiras, caixa térmica etc. Arranjamos um local mais adiante, um pouco dentro da mata, onde as árvores proviam certo conforto. Tomamos banho de mar mas, na hora de fazer nosso lanche, percebemos que só restavam duas pessoas no quiosque. Nosso amigo Beto resolveu checar. Foi até lá, com a cara-de-pau que eu gostaria de ter, e perguntou:

— Podemos compartilhar a sombra? Aquelas árvores soltam umas sementes e é desconfortável sentar ali.
— Claro que sim — respondeu o cidadão. Já estamos mesmo de saída.

Enquanto o Beto foi nos chamar, o casal pegou o rumo de casa subindo o morro. Deixaram umas 6 cadeiras — que, claro, não sentamos —, raquete de frescobol, brinquedos de praia e toda a tralha que usaram. Quando nos instalamos, logo apareceu um empregado chamado João Antônio, muito simpático, com walkie-talkie na cintura, que foi recolher os apetrechos deixados.

— Podem ficar à vontade. A praia é pública. Este quiosque foi feito pela família, mas está aqui para todo mundo usar.

Depois que o João saiu, encantados com seu bom-humor, presteza e com o que a família, a justiça e a associação dos pescadores estavam nos propiciando, soltamos a imaginação.

— Poderíamos os escrever para o SAC da Praia Vermelha e sugerir umas melhorias.

Para: Serviço de Atendimento ao Consumidor da Praia Vermelha

Garopaba, 12 de janeiro de 2014

Vimos por meio desta elogiar a hospitalidade e simpatia com que fomos recebidos nesta tão fabulosa praia. Com a intenção de contribuir com a melhoria dos serviços prestados, gostaríamos de fazer algumas sugestões.

Fazem-se necessários bancos. O quiosque possui duas prateleiras muito bem feitas, mas sentar é importante. Pode ser coisa simples, feitos de tábua mesmo; bem praia. Não precisa de muito conforto.

Percebemos que o João Antônio, seu criado, trajava um uniforme escrito “Verão 2013”. Tá desatualizado. Sei que a gente acaba deixando estes detalhes sempre pra depois, mas já faz dois anos. Convém dar um update. De repente até mudar a cor, para parecer mesmo que mudou. Essas coisas demostram capricho. É só um toque. #ficadica

Ele também nos mostrou o burrificador de vinagre que sempre leva com os apetrechos para tratar queimaduras de água-viva. Que louco! Não sabíamos dessa versatilidade do ácido acético. Aprendemos com ele! Só que levou embora. Tenho medo que me pelo de encostar num bicho desses. Seria tão legal deixar um frasco sempre à disposição no quiosque, né? Claro, que precisaria também ter um cartazinho com instruções, porque, assim como nós, muita gente não conhece este macete. Mas isso é bem fácil de providenciar. Só não esqueçam de plastificar, pois a maresia é terrível.

Percebemos também que o 3G não pega. Essas operadoras são de lascar! Prover internet wi-fi seria um diferencial significativo. Avaliem, avaliem…

Já pensaram em puxar um ponto de água de uma das casas? Uma bica de água doce seria providencial.

Sem querer extrapolar, penso que as dimensões do lugar sextavado não permite a distância ideal entre os pilares para a colocação de redes de descanso. Se ele fosse maior ou em forma de pentágono, já dava. Não cogitam reformá-lo?

Sem mais para o momento, agradecemos o tempo que passamos na Praia Vermelha.”

Buenos Aires: Dicas de Câmbio e Generalidades

_MG_8729
Não ia a Buenos Aires desde 1998, quando estive para o show do U2, Pop Mart. Acredite se quiser. Desde lá, mudou muita coisa. Mas escrevo apenas para dar algumas dicas em um assunto que vem sendo recorrente neste blog: câmbio.

A Argentina vive um período econômico que privilegia muito o turismo. A moeda desvalorizada frente ao dólar e ao real oportuniza aos brasileiros viajar mais barato que no Brasil. Fora isso, você encontra passagens aéreas por menos de R$ 200 o trecho. Mas tem que procurar o dia certo.

Porém, o pulo do gato mesmo, para quem quer aproveitar o câmbio, é: não use cartão de crédito, em hipótese alguma! Em setembro deste ano, quando estive, o câmbio oficial era de 8,40 pesos por dólar, enquanto o paralelo, que se faz nas ruas, estava em 14,70. Uma diferença de mais de 60% se você ainda considerar o IOF das transações internacionais via cartão. Fora que não há como saber, nem ao telefonar para seu cartão, qual o câmbio pesos/dólar do dia, apenas o dólar/real, como já falei aqui. O paralelo, que é ilegal, acontece na rua. Você é abordado por um vendedor a cada 10 passos ao caminhar pela Calle Florida. Chega a ser chato. Na primeira hora você até responde “no, gracias”, depois cansa. Eles negociam o preço ali mesmo e, se topar, te levam para o escritório em alguma galeria ou prédio. Segundo dizem, há que se tomar cuidado com os golpes. Aconselho fazer o primeiro câmbio com pouco dinheiro no bolso, para testar a confiabilidade do lugar. Quando estiver no “estabelecimento”, pergunte se fariam um valor melhor para maior quantidade e volte mais tarde para tal. Aí, claro, sem utilizar o “atravessador” da rua, vá por conta própria, pois já sabe o caminho. Talvez consiga uma taxa mais interessante. Algumas lojas aceitam dólar ou real direto, a um valor próximo ao paralelo, mas claro que com uma conversão pior do que as casas especializadas.

Sem saber dessas barbadas, acabei levando pouco dinheiro em espécie, pois teria a ajuda dos cartões se precisasse. Acabou que, para o que pretendia, deu e sobrou. Não fui com a intenção de “muambar”, apenas de passear. Gastei 20% a menos que dispunha. Comprei algumas coisinhas por impulso, mas me arrependi amargamente de não ter aproveitado para me abastecer de roupas para o inverno seguinte. Se encontram casacos, jaquetas etc. — de muito, mas muito boa qualidade — de R$ 150 a R$ 500. Mas estou falando de MUITO boa qualidade, mesmo! Claro que tem porcaria. Encontre os lugares certos e as promoções. Mas se eu, que nem procurava, achei, não será difícil para quem já vai com a intenção.

A comida também é um caso à parte. Faltaram dias para tantos restaurantes, panaderias, cafés que queria ir. No mais caro de Buenos Aires, você gasta R$ 90 por pessoa, com vinho. Existem lugares muito bons e tradicionais, em que não se gasta R$ 20 por pessoa. Não vou dar dicas de onde comer, pois fiquei pouco tempo e existem diversos blogs que fazem isso.

Sobre locomoção, nem pense em não andar de táxi. Tirando a ida e volta para o aeroporto, a corrida mais longa que fizemos, que atravessou a cidade, custou R$ 15. Tiros curtos podem sair por até R$ 4. Na chegada em Baires, no aeroporto, me dirigi ao guichê oficial de táxis. Como só tinha dólares, os 380 pesos cobrados no caixa, me custaram, pelo câmbio oficial, US$ 45. Na volta, pedimos um carro pelo próprio hotel, que me custou 300 pesos. Ou seja, R$ 50 ou US$ 20.

Outubro entra com maior desvalorização ainda da moeda argentina. Melhor para o turismo brasileiro. Aproveite.

Passagens

canstockphoto0232824Sábado. Vento norte. Porto Alegre, Aeroporto Salgado Filho, Terminal 2, terraço. Michel, 35 anos, observando a pista é abordado por um conhecido.

— E aí, Michel?
— Beleza, cara?
— Beleza.
— Tá vindo direto aqui?
— Não… Só aos sábados. Tô trampando.
— É… Eu também.
— Visse que o horário do Felipe passou para às 10h?
— Vi. Os pilotos estão todos refazendo a agenda. Deve ser por causa das mudanças dos voos, pra Copa. Mudou tudo.
— Deve.

— E o avião novo aquele?
— Legal, meu. Bem joia!
— Tem um ronco mais constante, puxado pro grave, mas com uns ra-ta-tás específicos… Sei lá. Trilouco.
— É. Um som lindo, diferente. Nem parece Boeing.
— Fotografei e mandei lá pro grupo. Colocaram na capa!
— Poxa, que tri!
— Ficou show mesmo. E os caras de São Paulo se puxam nas fotos, então, fiquei felizão!
— Vou ver depois. Ainda não entrei hoje.

— Tá boa a luz hoje, né?
— Céu de brigadeiro.
— É isso aí. Pode crer.

Meia hora depois, Michel senta em um banco, olhando para a pista. Uma senhora já de idade senta junto, na outra ponta, e não contém o entusiasmo.

— Olha, olha, olha…
— Subiu bonito, né?
— Uma pluma… Para um A330…
— É mesmo… A senhora está esperando alguém?
— Não, tô só a passeio. E tu?
— Também.


— Este voo é novo?
— É.
—Sabe que eu gostava mais na época da Varig, da Transbrasil, da Vasp…
— A Vasp era massa, né?
— Todas eram. Época boa que não volta mais.
— Era outro clima… Mas depois de toda a politicagem que fizeram…
— É?
— Pô, cheio de gente graúda envolvida e os caras tentando abafar os escândalos.
— Que coisa séria…
— E os funcionários chupando dedo… Sacanagem…
—Sempre estoura do lado mais fraco.

Ele levanta e, por uns 15 segundos, analisa o monitor de chegadas e partidas. Volta pro lugar.

— Eu agora tô juntando dinheiro…
— É?
— É. Quero ver se eu viajo também.
— Isso é uma coisa boa!
— É, né? Deve ser.
— É bom. É bom, sim.
— Pois é…

Por mais 15 minutos os dois ficaram olhando a pista, até decolar o próximo. O tempo começou a fechar. Michel novamente foi ver o painel de voos e a senhora foi embora. Não se despediram. O vento mudou para noroeste.

Ninguém Sabe Nada de Câmbio — Parte 2

Há algum tempo escrevi sobre câmbio, entre outras coisas, falando sobre o mito do dólar turismo, oficial etc. Leia aqui.

Agora, pesquisando sobre a opção mais econômica para viajar, resolvi fazer uma pesquisa com as bandeiras de meus cartões de crédito, opções de travel cards e dinheiro vivo. Você não pode esquecer que, para qualquer transação internacional com cartões, sejam eles do tipo forem, hoje em dia há a incidência de 6,38% de IOF. Ou seja, mesmo débito, crédito ou travel card (que não deixa de ser um cartão de débito), o imposto será cobrado.

Liguei hoje para meus cartões, casas de câmbio, meu banco para a STB (que gera travel card também) e consegui as seguintes cotações (da pior à melhor):

Travel Card STB — 2,37 + IOF = 2,52
Travel Card Banrisul (R$ 10,00 a recarga) — 2,33 + IOF = 2,48
Visa, Santander — 2,32 + IOF = 2,47
Mastercard, Dotz (Bradesco) — 2,31 + IOF = 2,46
Mastercard, Banrisul — 2,21 + IOF = 2,35
Cash (casa de câmbio mais barata) — 2,33

Isso significa que a forma mais econômica é mesmo em cash. Porém, não é a mais segura. Então, aconselho, claro, levar dinheiro vivo, mas ter sempre uma ou duas opções de backup. Dinheiro em mãos e travel card também são formas de não haver surpresas com o câmbio, já que o valor do dólar no cartão de crédito é determinado no dia da emissão da fatura e corrigido no dia do pagamento. A diferença vem na fatura seguinte. Encarar o cartão de crédito como um seguro também é um ponto de vista — se você for roubado ou extraviar o bichinho, basta avisar o banco a tempo para bloquear. Já com dinheiro, não há milagres.

Dicas Sobre Visto Americano

20140329-100350.jpg

Conseguir visto de turista para os Estados Unidos não é empreitada simples. Mas o país vem tomando medidas para facilitar o processo da solicitação no Brasil. Horas e horas perdidas nas filas dos consulados e CASV (Centro de Auxílio ao Solicitante de Visto) foram reduzidas drasticamente em 2014. A necessidade de movimentar a economia americana e, acredito, até a própria arrecadação com a taxa cobrada (US$160), são os motivos mais evidentes. Só em 2013, 800 mil brasileiros ingressaram com pedido do visto norte-americano. Cerca de 740 mil foram concedidos. Faça as contas. Quase US$130 milhões não é uma receita desprezível para a operação consular no Brasil.

Se você tem intenção de solicitar o seu, aconselho contratar um agente. Por cerca de R$150, ele fará toda a parte burocrática junto ao consulado e lhe dará dicas precisas. Bem orientado e amparado, você conhecerá todos os riscos de receber um não e poderá ponderar se os Estados Unidos será realmente o destino das suas próximas férias. Lembro que a Europa não precisa aprovar previamente a ida de brasileiros para lá.

Não se engane que o custo do processo restringe-se aos US$160 da taxa e os R$150 do agente. Só há consulados em Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. E você deve permanecer dois dias em uma dessas cidades. Porto Alegre abriu em março deste ano uma agência consular que permite realizar a primeira parte do processo, que é a coleta das digitais e o registro fotográfico, bem como a renovação integral após a validade de 10 anos. No meu caso, o agente aconselhou fazer tudo em São Paulo, pois já estavam acostumados e pela recente recente inauguração de Porto Alegre. Concordamos, pois tínhamos pressa e não queríamos correr riscos de imprevistos.

Outra possibilidade era fazer em Montevidéu, mais perto da minha cidade que São Paulo. Porém, precisaria voltar para retirar ou ter alguém que o fizesse pra mim. Muita função. Optei mesmo pela capital paulista.

Os únicos documentos realmente necessários são o passaporte, os recibos de pagamento e preenchimento do formulário DS-160, o agendamento do CASV, do consulado e comprovantes de renda e de dinheiro em conta para a estadia. Mas você pode ser solicitado, durante a entrevista, a provar as respostas dadas no formulário preenchido. Então, é aconselhável levar diplomas da escolaridade, passaportes anteriores, carteira de trabalho ou contrato social (se tiver seu próprio negócio), escrituras de imóveis, documento de posse de veículos etc. O que pega é: você tem que provar que tem vínculos fortes no Brasil para não querer ficar por lá clandestinamente e que tem dinheiro suficiente para manter-se pelo período pretendido. Não há regras certas e sabidas para seu visto ser ou não aprovado. Podemos supor que estudantes que não pagam seus estudos com recursos próprios, pessoas desempregadas ou com salário abaixo de certo nível, sem bens, sem filhos e, principalmente, que demonstrarem nervosismo na entrevista, têm mais chances de serem reprovadas. Lembrem-se: eles querem você lá para consumir e não para ser consumido. Por outro lado, excesso de dinheiro pode configurar que você não pretende voltar.

O primeiro dia, no CASV, no Alto de Pinheiros, com a data e a hora previamente agendadas pelo site, é muito tranquilo. Não precisa chegar uma ou meia hora antes, como muita gente sugere. O sistema é de primeiro mundo. Por outro lado, não esqueça que você está em São Paulo e qualquer deslocamento é uma incógnita de tempo. Meu horário (e de mais umas 30 pessoas) era às 14h30. Como cheguei às 13h30, fiquei quarando no sol, em frente ao prédio, junto com outros brasileiros-que-adoram-uma-fila. Pontualmente, às 14h30, chamaram os do horário. A fila desformou-se, pois ali estava gente das 15h, das 15h30… E formou-se outra apenas com os das 14h30. A entrada foi rápida. Em dez minutos já haviam coletado minhas digitais e feito a foto. Saí às 14h40! Ou seja, se eu tivesse chegado às 14h25, teria levado, no máximo 20 minutos entre fila e coleta. Depois brasileiro fica reclamando da vida. Quem complica é ele próprio. Atentem-se que é proibido entrar com malas e eletrônicos. Celulares são permitidos desligados. Existem guarda-volumes que te cobram R$10 por peça. Foi o que fizemos, já que ir ao hotel para deixar as malas nos atrasaria, além de ser mais caro.

No dia seguinte, foi a entrevista, marcada para às 12:40, esta no próprio Consulado Geral dos Estados Unidos, no Morumbi. Aqui, a organização de entrada do CASV não se repetiu: bastava chegar para ser recebido e entrar na fila interna. Chegamos às 12h e saímos pelas 14h30. De fato, a fila só existia dentro do consulado porque era permitida a entrada das pessoas que chegavam antes do horário. É tipo dia de recebimento de aposentadoria: os velhinhos chegam às 7h e o banco só abre às 11h; com fila formada leva mesmo muito mais tempo do que se fossem chegando aleatoriamente (ou agendadamente) e sendo atendidos. Na revista, as pessoas entram de quatro em quatro. Há um detector de metais tipo porta e outro portátil, tipo raquete. Todos passavam pelos dois. O segurança, antes mesmo de eu cruzar pela porta, me liberou do portátil. Só a mim. Não entendi o motivo e brinquei com minha esposa: “sou do tipo confiável, viu?”

A entrevista foi tranquila. A moça que nos atendeu era simpática. O diálogo foi assim:

MOÇA — Boa tarde.
EU — Boa tarde.
MINHA ESPOSA — Boa tarde.
MOÇA — Para onde vocês vão?
(Em alguns casos, minha esposa respondia junto, um meio atropelando o outro. Isso não é aconselhável caso o entrevistador seja mal-humorado. No nosso caso, não prejudicou e, talvez, ainda tenha dado a confiança a ela de que estávamos falando a verdade; respondíamos em uníssono).
EU — Nova York.
MOÇA — Já foram outras vezes?
EU — Não.
MOÇA — Vocês vão sozinhos?
EU — Vamos com um casal de amigos.
MOÇA — Eles já têm visto?
EU — Já
MOÇA — O senhor já viajou para fora do país?
EU — Sim.
MOÇA — Pra onde?
EU — França, Inglaterra, Suíça, Andorra… (não por que me lembrei de Andorra antes dos outros lugares).
MOÇA — E a senhora?
MINHA ESPOSA — Também. França, Inglaterra, Alemanha… A gente foi na Alemanha, né? Não lembro direito. Faz tempo.
(Sim, a gente foi na Alemanha, mas nessa hora fiquei preocupado se a hesitação de minha esposa poderia comprometer algo).
EU — Tenho os passaportes anteriores aqui. Gostaria de ver?
MOÇA — Não é preciso. O que o senhor faz?
EU — Sou publicitário, tenho uma agência de propaganda.
MOÇA — Senhora, o que você faz?
MINHA ESPOSA — Eu também. Sou publicitária/empresária. Tenho uma agência. Sou sócia dele.
MOÇA — Há quanto tempo existe a empresa?
EU — 18 anos.
MINHA ESPOSA — 19 anos.
EU — É. 19, este ano. É de 1995.
MOÇA — Seus vistos estão ativados. Neste folheto tem instruções de como irão recebê-los no endereço indicado. Uma boa viagem.
EU — Muito obrigado. Boa tarde.

Nenhum documento foi solicitado. Nenhum! Tinha levado uma pasta cheia deles. Isso não quer dizer que você não deva levar. Leve tudo e um pouco mais. Nunca se sabe com que ponto da sua vida irão encrencar.

Depois dessa experiência, de ter presenciado algumas entrevistas enquanto aguardávamos nossa vez e de ter lido relatos de outras na Internet, tenho percepções próprias sobre o processo de aprovação, que todo mundo diz ter muito de incógnita. Não concordo tanto com esta afirmação. Existem pontos que podem acender o sinal amarelo no entrevistador que, então, fará perguntas mais complexas e específicas. Por exemplo:
— os dados preenchidos no formulário, como se você é estudante, quem vai pagar sua viagem, sua renda…;
— as respostas que você dá, como sobre se vai viajar sozinho ou não;
— idade, estado civil;
— seu nervosismo.

Eles devem ser treinados para desconfiar até da sua aparência. Qualquer sinal amarelo abre um leque de perguntas.

Minha dica é a seguinte: nunca minta, nem no formulário, nem na entrevista. Se você desconfia que há possibilidade de não ter perfil para ter o visto aprovado, não o solicite o visto americano; mude seu destino, vá para a Europa! É alto o custo do processo como um todo para dar com os burros n’água. Com a grana, você pode incrementar bastante sua viagem em outro destino.

Na rua do consulado há cafeterias e pequenos bistrôs. Parecem estar ali justamente para os candidatos a visto e seus acompanhantes que não podem entrar junto. Ou seja, você não ficará com fome, nem seu amigo que foi junto estará ao relento no sol ou chuva. Há também guarda-volumes para deixar malas, bolsas e celulares que, aqui, não são aceitos nem desligados. Não pegue o primeiro que lhe for oferecido por um vendedor há 50 metros de distância. Esses custam R$10 por volume. Bem em frente ao consulado custam R$5. Sacou que eu paguei R$10, né?

Espero ter ajudado.

Boa viagem.

Tudo Azul. Até Ali

20130418-230833.jpgVoei pela primeira vez por uma dessas companhias aéreas cujo preço da passagem é o principal diferencial competitivo — a Azul. A comissária de bordo, logo antes da decolagem, abordou os cavalheiros das poltronas à minha frente, de ambos os lados do corredor. “Nesses lugares ficam as saídas de emergência”, disse. “E aqui estão os prospectos sobre como operar as portas.” Senti que não ficaram confortáveis com a notícia. “São bem leves. Apenas 12kg. É preciso empurrar, firme, com o pé aqui em baixo e puxar, forte, com a mão, esta alavanca.” Uma expressão blasé, como quem diz “simples, assim”, surgiu em seu rosto. “Tenham certeza, em caso de pouso de emergência no mar ou em terra, que não há fumaça ou fogo nas turbinas antes de abrir.” Eu olhei para o lado e compartilhei um riso incrédulo com minha colega de poltrona. A tripulante ainda iria arrebatar com um final majestoso. “Me chamem caso não se julguem capazes de realizar a operação e queiram trocar de lugares.” Ouvi tudo fazendo força para acreditar que o treinamento barato que recebem é mais impactante na redução do preço da passagem do que uma possível economia na manutenção da aeronave.

Boa Companhia

Sou boa companhia de viagem.

Não tusso, não fungo e não espirro (muito). Não faço barulho para engolir líquidos nem sólidos. Não soluço. Não ronco de lado; eu durmo de lado. Não me engasgo com comida. Não me engasgo com saliva.

Acordo antes. Tomo banho rápido, porém dois por dia. Não deixo toalha em cima da cama. Só sujo um prato. Faço comida. Tiro a mesa. Bebo água.

Caminho 10km sem problemas. Não preciso ir ao banheiro frequentemente. Meu intestino é um relógio. Acompanho passeios, espero em lojas e carrego sacolas. Não reclamo de nada. De quase nada.

Não fico morrendo de fome se não como de 3 em 3 horas; nem de 5 em 5, se necessário. Gosto de tudo, inclusive de provar novidades. Tomo qualquer tipo de leite, do desnatado ao integral. Uso açúcar ou adoçante — o que tiver.

Converso, mas pouco. Não grito. Sou discreto. Eu não encho o saco; mal respiro.

Talvez eu seja um péssimo companheiro de viagem.

As Sinaleiras de Paris

— Pai.
— Fala, filha.
— Por que a sinaleira das pessoas fecha bem antes de abrir a dos carros.
— Ah! É mesmo! Quer saber por quê?
— Quero.
— É assim: é que tem que dar tempo para a pessoa que recém começou a atravessar, no momento que fechou, conseguir chegar ao outro lado sem que abra a para os carros.
— Hmm! Mas eu cheguei no outro lado e a dos carros continuou fechada por muito tempo.
— Ah, mas é que nem todas as pessoas são tão rápidas quanto uma menina ágil e saudável como tu.
— Ai, pai!
— Então, eles medem com uma pessoa mais lenta.
— Que pessoa?
— Quer saber mesmo?
— Quero! Quero, pai!
— Olha, aqui em Paris, a prefeitura tem três velhinhas, com cerca de 90 anos. Elas têm escoliose, osteoporose e calo no pé. São as criaturas mais lentas que se tem notícia.
— Poxa!
— E elas usam bengala.
— Claro, né? Com tanta doença!
— Aí, todo dia de manhã, eles largam as velhinhas em um ponto da cidade para caminharem aleatoriamente.
— Coitadinhas.
— Elas levam um GPS na bolsa, como o do celular do pai, só que é um próprio para isso. Aí, esse aparelho sabe direitinho em qual esquina elas estão e marca o tempo que levam para atravessar cada rua.
— Nossa! Que massa!
— Está incluído o tempo que elas param e se coçam no meio da faixa de pedestres. Porque velhinha sempre se coça um pouquinho, né?
— É mesmo!
— No final do dia, a prefeitura recolhe as três velhinhas, pega seus aparelhos e transmite as informações para um computador.
— Show!
— Ele controla o tempo de todas as sinaleiras de Paris.
— E as velhinhas não ficam cansadas?
— Ficam. Claro. Às vezes elas até morrem trabalhando.
— Sério?
— Sério. Por isso, eles estão sempre convocando outras velhinhas para este serviço.
— Puxa, pai. Tu sabe tudo mesmo, hein?
— Quase tudo. Quase tudo.