Olimpiadas (“Olim-piadas”, para quem achou que errei o acento)

Tinha um desenho animado do Pateta que, na tradução para o Brasil, foi entitulado “Olimpiadas do Pateta” (será que estou confundindo com alguma edição especial da Turma da Mônica? Bom, todo mundo usa esse trocadilho). O fato é que o desenho da Disney era muito massa e não passava a toda hora como os outros. Aliás, nem sei se, nas poucas vezes que eu vi, era nas tradicionais sessões matutinas na TV, como de costume.

Alguns acontecimentos das Olimpíadas de Pequim me lembraram do Pateta:

– George Bush, assistindo Michael Phelps no Cubo d’Água da arquibancada, ergue a bandeira norte-americana em frente a seu rosto, acha que ela está ao contrário. Inverte, agora sim para o lado errado. Sua acompanhante (esposa?) tenta corrigir, mas ele desconsidera a ajuda como quem diz “sai pra lá, chata”;
– a Geórgia (país que fazia parte da União Soviética e que tá em “guerra” com a Rússia) está repatriando atletas do mundo inteiro para defender suas cores nos Jogos. No vôlei de praia, a dupla georgio-brasileira perdeu para a brasilo-brasileira; na entrevista para a TV, Geor disse que estavam levando um pouco de alegria a seu povo que passa por um momento muito difícil. Como assim? Qual é o povo de alguém que vende sua cidadania para participar de uma Olimpíada?
– ah, não! Não bastasse no Carnaval… Leci Brandão é comentarista do futebol feminino na Globo. Assista um jogo e entenda;
– Galvão Bueno falando merda sobre a China na fantástica festa de abertura.

Bola fora da Saraiva

Fiz uma pesquisa de preços do novo DVD dos Los Hermanos (em pré-venda). Fui ao Buscapé e achei na Saraiva por 28,90 (clique para ver um print screen). Achei o preço bom e segui o link para comprar. Só que no site da loja, o preço não era o mesmo, mas 39,90 (aqui). Fui logo ao atendimento on line. Transcrevo abaixo – o nome do atendente foi mudado para proteger inocentes.

Xavier: Olá, em que posso ajudar?

Eu: Ao pesquisar no site www.buscape.com.br pelo produto “Los Hermanos na Fundição Progresso – 09 de Junho de 2007 – DVD”, apareceu a Saraiva com o preço de 28,90 (este é o link: http://compare.buscape.com.br/procura?id=2922&kw=+los+hermanos&titulo=&diretor=los+hermanos&submit=Buscar). 

Eu: Ao clicar no link fui para o site de vocês e o preço não era o mesmo, mas 39,90 

Xavier: O preço do produto foi alterado e no outro site ainda não foi atualizado, o preço será o que estiver no site da Saraiva no momento da compra. 

Eu: você sabe que eu tenho direito a comprar pelo preço anunciado 

Eu: o problema de atualizar ou não o site é de vocês ou das parcerias de vocês, sei lá 

Eu: certamente, você ignorará minha questão e esta conexão cairá em poucos segundos… 

Xavier: O senhor pode realizar a reclamação no e-mail [email protected] 

Eu: já estou fazendo pra você 

Xavier: Como lhe disse O preço do produto foi alterado e no outro site ainda não foi atualizado, o preço será o que estiver no site da Saraiva no momento da compra. 

Eu: não acredito que o site Buscapé seja atualizado manualmente, preço por preço. E, mesmo que fosse, preço anunciado é preço anunciado 

Eu: É como acontece no supermercado, em comerciais promocionais em geral… 

Eu: É o que diz no código do consumidor 

Eu: já fiz print screens das telas 

Eu: Com respostas como esta, a Saraiva cai brutalmente no meu conceito e no dos leitores do meu blog 

Xavier: O preço será o que estiver no site da Saraiva no momento da compra, se o senhor deseja realizar a reclamação pode enviar um e-mail para [email protected] 

Xavier: Posso ajudar com mais alguma informação? 

Eu: Sim: tá chovendo aí?

Xavier: tenho autorização para responder pergunta referente a Saraiva. 

Eu: Ah. Ok. Me diga então quantas pessoas por dia, em média, costumam reclamar esse tipo de problema entre a Saraiva e o Buscapé? 

Eu: Uau. Gosto de me sentir um líder. 

Eu: Bom, cansei. Vou tomar um cafezinho lá no Procon. Tenha um ótimo dia. 

Xavier: A Saraiva.com.br agradece seu contato. 

Xavier: Boa tarde. 

Perigo Constante

“Não deixa o portão abrir até o fim porque, depois, ele não fecha.”
“Cuidado com o espelho.”
“Vem carro.”
“Olha a moto.”
“Pode ir.”
“Vai para a direita para os mais rápidos passarem.”
“Dá sinal.”
“Não freia no meio da rua assim!”
“Sabia que tu ultrapassando pela direita, se o cara da esquerda te fechar, a culpa é tua? Não pode ultrapassar pela direita!”
“Vai mais rápido.”
“Vai mais devagar.”
“Este quebra-molas é mais baixo na esquerda. Por lá dá pra passar mais rápido.”
“Olha a bicicleta.”
“Aquele cachorro quer atravessar. Vai atravessar. Tá atravessando. Para!”
“Faz a rótula te mantendo na tua pista.”
“Desliga o pisca.”
“Muda de pista porque tu vais dobrar em seguida.”
“Não fecha o cara.”

Tudo isso eu pensei na ida pro trabalho, mas não disse pra minha mulher. Estou uma semana “de castigo”, andando de carona, pois minha carteira venceu e eu só percebi mais de um mês depois. Ainda não chegou a nova. Até lá, infarto.

Criança Esperança

Eu não sou jornalista. Este blog não é jornalístico. Então, me permito conjecturar.
Ano passado, circularam e-mails acusando a Globo de fazer, no Criança Esperança, cortesia com chapéu alheio. A mensagem eletrônica sugeria que a emissora recebia o dinheiro dos telespectadores, doava à UNESCO e usava o valor para abater do Imposto de Renda. Ou seja, a caridade do brasileiro estaria sendo usada para pagar parte das obrigações fiscais da empresa. Agora, na edição de 2008, todos os programas e comerciais que divulgam os telefones para doações frizam que o montante vai direto para a conta da Unicef e que não pode ser abatido de impostos. Com certeza, trata-se de uma resposta sutil àquelas acusações. Porém, não fica claro de quem é o imposto que estão falando – se do nosso ou do deles. Mas é claro que a Rede Globo não daria ponto-sem-nó. É aqui começa minha conjectura. O fato do dinheiro ir direto à UNESCO não afasta a possibilidade da TV não estar usando a campanha para obter facilidades fiscias. Se eu fosse dono da empresa, disponibilizaria espaços ociosos em minha grade comercial para divulgar o projeto e contabilizaria-os como doação. Será que não é isso que fazem? Estariam “vendendo produtos encalhados” ao mesmo tempo que fazem o bem para as criancinhas carentes e para sua própria saúde fiscal. Eles devem estar bem assessorados contábil e juridicamente. Não vejo problema nenhum nisso. Quem quiser que faça algo semelhante e não ajudará só a si, mas a quem precisa também.

Jorge Drexler em Porto Alegre

Apesar do show ter sido sensacional não me inspirei para escrever nada. Tem coisas que basta ver, presenciar e deu. Porém, não posso deixar passar batido um espetáculo como o do uruguaio Jorge Drexler, domingo, 20 de julho, no Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre. Então vou me puxar.Depois de uma indiada sem sucesso para comprar os ingressos para o, então, único dia de apresentação (dia 21), a organização do evento resolveu abrir sessão extra um dia antes. Lá foi nossa solícita estagiária de Porto Alegre, Marina, tentar garantir novamente nossa presença no show. Levou mãe e namorado (pois só era permitida a venda de 2 ingressos por pessoa – precisávamos de 6) e, como estratégia, foi uma hora antes para a fila. Resultado: 100% de sucesso.

O estilo do show é o mesmo do mais recente lançamento do cantor, “Cara B” – um duplo que traz 31 registros ao vivo. Drexler usa programações junto com seu violão, que intercala, vezes, com uma guitarra semi-acústica com distorção. Em momentos, ele grava vozes e harmonias ao vivo para se repetirem ao infinito, como base para o que vai tocar. Tudo muito espontâneo, rápido e com bastante efeito performático. Aliás, a perfomance visual é show à parte. Não pelo excesso, mas pela simplicidade. A luz é muito bem feita, cheia de sacadas também. E o espetáculo corre assim, com pequenas surpresinhas a cada música, incluindo a participação de seus técnicos de som em algumas delas, tocando teremim, serrote e um seqüenciador com som arcaico e visualmente interessante.

Ele é muito carismático e se comunicou com a platéia em um bom português, cheio de bom-humor. Houve a participação de Vitor Ramil (parceiro na canção “12 Segundos de Oscuridad”), em 3 músicas do set list e mais uma no bis. O ponto mais engraçado da participação foi quando, no meio de uma música, Vitor disse “vai, Jorge” e Jorge foi. Era a hora do solo e o uruguaio, entrou em um solo improvável daqueles que a gente não sabe se é simplesmente estranho ou fora da escala. Mas era fora da escala… Quando acaba a música, ele diz: “é o primeiro solo da minha vida”. Percebeu-se. Mas o fato só serviu para deixar o show mais animado. Jorge sugere que a audiência troque as palmas por estalos de dedos, criando um clima muito mais sutil e delicado.

Me impressionou também o fato de que as pessoas cantavam junto apenas as músicas antigas e pareciam não conhecerem as novas do disco lançado em 2006, homônimo à canção em parceria com Vitor Ramil. Apesar de ser um ótimo compositor, gosto muito mais das canções recentes e achei que todos concordariam comigo. A impressão que ficou é que muita gente gosta de Drexler como expoente de uma música latina mais tradicional – como se o vissem como uma espécie de herdeiro de Mercedez Soza. As composições anteriores puxam um pouquinho mais para esse lado mesmo (eu disse “um pouquinho”), ao contrário das novas, que são mais relaxadas, livres de estilo definido. Eu gosto mais.

Uma vez, quando adolescente, eu fiquei de cara por ter perdido a chance de ver um show dos Replicantes na minha cidade. Daí em diante prometi que eu nunca mais perderia uma oportunidade de ver um concerto de quem eu gostasse. Não tenho cumprido isso à risca, mas se eu tivesse faltado ao de Jorge Drexler, certamente acordaria diferente na manhã de segunda do que acordei – um pouco pior, claro.

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Ridículo

Toques de celular são um problema. Agora, nesta onda de sons polifônicos, pior. Se não bastasse o inconveniente do aparelho tocar em qualquer lugar, nas horas mais impróprias, estar exposto a demonstrações do mau-gosto musical de cada um é uma tortura. Entre créus da vida e axé musics — graças a Deus, nem sei citar mais nenhuma —, a democratização dos telefones móveis mostra seu lado cruel. Toque de celular precisa ser simples, discreto, eficiente e objetivo. Sempre que possível, deixo só no alerta vibratório.

Para não passar por ridículo ao escolher seu som de chamada, cada um deveria imaginar todas as situações e pessoas possíveis de se estar em companhia na hora de receber uma ligação. Um toque muito espalhafatoso, como a já citada “Dança do Créu”, não iria soar bem aos ouvidos de um cliente da empresa em que trabalha. “YMCA” é divertida, mas o pai da sua futura namorada acharia muito estranho ela sair do seu telefone no meio do primeiro jantar em família. Bom, pode ser também que ele se identifique e faça um convite para passar aquela noite por lá. Vai saber. Você ser parado numa blitz policial e tocar qualquer uma do Planet Hemp também não vai contar pontos a seu favor. O hino do seu clube pode ser bastante comprometedor dentro de um ônibus que leva a torcida adversária para um clássico da cidade. Na dúvida, escolha o Nokia Tune. Ou melhor, o Beep Twice, o Polite — meus preferidos. Sabe aquele ditado “não perca a oportunidade de ficar calado”? É por aí.

Algo parecido acontece com nome de filhos. A escolha nunca é simples, ainda mais quando o casal é complicado. Minha dica nesse caso é parecida com a do celular. Imagine você chamando a atenção do seu pequeno, em voz alta, no meio de um restaurante: “Cauãããã, sai debaixo da mesa!”; “Shivaaa, eu já disse que não!”; “Maiconnnn, não cospe nas pessoas!”; “Sasha, minha filha…”. E pior é que os pais, nessas horas, nunca chamam pelo apelido. Seria menos constrangedor.

The Happening

Eu vi o novo filme do Shyamalan. “The Happening” (ou “Final dos Tempos”, como se chama no Brasil). É um filme quase trash – o que acaba que o deixa mais trash que um filme trash, pois, hoje em dia, ser trash é ser cult, agora ser semitrash é ruim, pois fica no meio do caminho.

Porém, a história é boa. Os efeitos, ou truques de cena, parecem terem saído de um filme de Hitchcock. A inspiração no mestre não pára por aí, pois há diversos comportamentos de personagens, planos e movimentos de câmera que remetem ao diretor de “Os Pássaros” – e mais, remetem ao próprio filme de 63. Talvez essa relação esteja ainda mais evidente ao lembrar das árvores balançando e do vento soprando, recursos bastante presente no filme das aves. A referência é clara. Talvez este seja o maior mérito do filme, que é conveniente assimilar para não sair dizendo “aos quatro-ventos” que o filme é ruim. Talvez você seja ruim. : ) Talvez o filme não seja bom pra você. Talvez seja o pior de Shyamalan. Talvez, talvez…

No momento em que o personagem principal desvenda, ou acha que desvendou as circunstâncias e variáveis pelas quais o acontecimento se dá, eu visualizei um final. Não vou entrar em detalhes para não contar o filme para quem não viu: imaginei o casal tendo que se separar para não morrer, mas preferindo ficar junto e sucumbir. Repito meu argumento do post abaixo: “por que o Shyama não me perguntou?”. Eheheh. Como eu sempre digo: o fato é que o filme não é feito só do final e este me prendeu totalmente enquanto eu o via. Não fiquei pensando depois como nos melhor do diretor (Sinais, A Vila e Sexto Sentido), mas valeu enquanto durou.

Resgatando Posts Antigos – Shyamalan

Aproveitando o lançamento de “The Happening“, novo filme do diretor e roteirista (me nego a dizer “ator”) M. Night Shyamalan, aqui vai um post antigo sobre o assunto.

de Torcicolo, 29/12/2003

“M. Night Shyamalan comecou bem com ‘o sexto sentido’ e depois foi descendo ladeira abaixo. ‘sinais’ eh horrivel. vamos ver esse q vem ai…”
Eduardo

Eduardo, eu pensei isso em seguida que assisti Sinais. Depois de muito tempo, comecei a matutar por que o filme não era bom. Por que ele não poupa o bom-senso e mostra a bicharada? Por que o final não é legal? Por que ele não surpreende como o Sexto Sentido?” Cheguei à conclusão, sem assistir de novo, que o filme era bom sim, aliás, muito bom. Por quê? Porque ele te prende o tempo todo – o cara é realmente o novo mestre do suspense, sem sombra de dúvidas. Lembra do cagaço quando o bichano aparece inteiro em “Passo Fundo”, a pé na plantação…? isso sem falar na tensão pela qual toda a situação é rodeada sem que vejamos ainda os aliens. É muito foda. Quando acabou o filme eu disse de brincadeira: “pô, por que o Shyama não me pediu uma opinião sobre o final do filme?”. O que eu faria? Eu deixaria os aliens só na imaginação. Sem aparecerem. Para que a fé seja colocada à prova e que a resposta ficasse com o espectador. Para o público saísse do cinema pensando: “será que eles estava ou não estavam lá? – um troço meio Orson Welles. Eu acho que seria mais legal mas, mesmo não sendo assim, é um grande filme de um grande diretor.

ex-Polegar

O ex-Polegar, Rafael, depois de cheirar todas, fumar tudo e até comer pilha, resolveu agora entrar pro ramo do seqüestro. Só mesmo se mantendo nos noticiários, da forma que for, para que todos lembrem do ex-Polegar. Já do ex-indicador, do ex-médio, do ex-anelar e do ex-mínimo ninguém recorda. Bem que a Eliana tentou, mas tirando fora o polegar, o grupo dos dedinhos caiu no esquecimento.

Resgatando posts Antigos – About Schimidt

Continuando, este foi do Torcicolo de 27/10/2003

Você está chegando aos 70 e vê que não viveu nada; percebe que as pessoas que estavam a sua volta, para as quais não dava a mínima, são aquelas que você começa a sentir falta; nota que quem gosta mais de você são aqueles que não te conhecem bem; descobre como é fácil fazer alguém feliz e que agir assim é algo que reflete em você também; atenta para todo o tempo que você perdeu, o qual poderia ter sido útil de verdade; não consegue esconder, nem de si mesmo que, naquilo que você achava que era mais eficaz, tem gente que é muito melhor. Você é um velho, babão, solitário, que percebeu isso tudo muito tarde.
É claro que não estou falando do Oscar do basquete.

Minha implicância com a tarcisemeirice de Jack Nicholson diminui depois de Confissões de Schimidt.