Sou fã de Fito Páez. Tive a oportunidade de assistir a seu show sábado em Porto Alegre. É o segundo show dele que vejo. O anterior foi no extinto Engenho Santa Ignácia, em Pelotas, e foi sensacional. Era época do lançamento de “Circo Beat” e, além das canções deste álbum predominarem, tinham muitas também do anterior, meu favorito até hoje, “El Amor Después del Amor”. Mas o de agora foi uma verdadeira bosta.
Explico os motivos do meu desagrado:
– em primeiro lugar, o local é péssimo acusticamente para eventos musicais. É a segunda vez que vou a shows no Pepsi On Stage e continua decepcionante para quem tem um mínimo de gosto por música. Pelo menos o técnico de som teve a sensibilidade de não piorar ainda mais a situação e colocou o som em um nível aceitável para uma estrutura daquele tipo. Era impossível entender o que ele falava, e não era pelo fato de estar falando espanhol;
– em segundo lugar, o repertório foi muito mal escolhido. Até, praticamente, a metade do espetáculo, o set list não conseguiu tirar o público do bypass, para usar uma linguagem tecnico-musical;
– em terceiro lugar, foi um grande erro optar por apresentar seu ótimo e mais recente disco, totalmente gravado em piano e voz, com novos arranjos por uma banda roqueira que a acústica impossibilitou de eu compreender o nome. Tá na cara que é uma tentativa de seguir a nova proposta estética de Caetano Veloso, admitido seu ídolo absoluto;
– em quarto e último lugar, só estando no maravilhoso camarote VIP da Atlântida, com sushis e/ou tamakis à vontade para ter gostado do evento. Não era o meu caso. Eu fiquei no mezanino, bem ao lado do camarote e fiquei babando por uma das delícias do Gokan.
Espero Fito, novamente, em um teatro ou local onde seja possível se escutar todo o talento do músico. Produtores locais estavam tentando trazê-lo novamente a Pelotas, mas não vingou por falta de patrocinadores. É uma pena, pois seria no Guarani – um pouquinho melhor do que o ginasião do Pepsi On Stage.


