Antes da reforma ortográfica, a discussão era constante. Uns defendiam que o prefixo “tele”, por não exigir hífen, gerava “telentrega”. Outros, mais radicais (que vão na raiz do problema), eram enfáticos: “tele-entrega”. A justificativa era que “tele”, significa distância (telecomunicação, comunicação a distância; televisão, visão a distância; telefone, som a distância) e “tele-entrega” não é entrega a distância, mas telefone-entrega, ou seja, entrega realizada por solictação telefônica. Portanto, “tele”, nesse caso, não seria prefixo, mas a forma reduzida da palavra “telefone”. Mesmo que essa simplificação não seja formalmente permitida na língua portuguesa, para ficar menos errado, seria exigido o uso do hífen.
Eu, por outro lado, sempre preferi pensar que, se foi construído um verbete popular de forma imprópria, problema dele; sua escrita não deveria continuar colaborando com o equívoco. Que fique errado o significado, mas que escrevamos conforme a regra ortográfica. Sendo assim, sempre escrevi “telentrega”. Até porque, a segunda vertente é bem menos assimilada e conhecida do que a primeira e as chances dela ser uma baita de uma viagem é maior ainda.
Porém, depois da reforma que uniu as ortografias dos países de língua lusitana, a discussão foi pro saco. Diz a nova regra que quando a vogal final do prefixo é igual a inicial do radical, usa-se o maldito tracinho. É o caso de “micro-ondas”, coitado. Difícil de se acostumar.
Se você ainda tem a pulga atrás da orelha, acha feio ou tem medo que digam que está errado, use “delivery”, “telepedidos”, “telecompras” ou “ligue pra gente”.




