Houve alguns comentários negativos sobre o que escrevi abaixo. Resolvi redigir este intróito, pois parece que não me fiz entender. Quero deixar claro que o assunto não gira em torno do “tipo” de usuário de Android. Não é sua “índole” que está “bagunçando” o Instagram. O que acontece é o grande volume de novos usuários que se instaura — cerca de 2 mil por minuto, segundo noticiado. Antigamente, as pessoas iam aderiando naturalmente e quem gostava ficava, quem não gostava saía. Agora, parece que se abriu uma porteira que retinha uma multidão de famintos. O crescimento desordenado gera esse tipo de coisa. É óbvio também que não trato sobre uma disputa entre egos de usuários e suas marcas — Apple x Samsung; iOS x Android. Por favor, não coloquem palavras em minha boca.
Há poucos dias liberam a tão aguardada versão do Instagram para o sistema Android, até então, apenas disponível para os dispositivos Apple. A enxurrada de adesões foi tão instantânea quando o mote do aplicativo. São todos muito bem-vindos — como se eu estivesse avalizado para dar boas-vindas… Porém, é necessário que os novos usuários entendam algumas coisas sobre esta rede.
1. O INSTAGRAM NÃO É A CASA DA MÃE JOANA, OU SEJA, O TWITTER
Não se registre no aplicativo com o objetivo de ter o maior número de seguidores possível. Não trata-se de competição, mas de acompanhar os amigos (aqueles que realmente valem a pena), os ídolos e ver boas fotos (às vezes). Não comece a seguir adoidado pessoas que vocês nem conhece para que elas te sigam de volta. Só vai acontecer entre os novatos.
2. O INSTAGRAM NÃO É O FLICKR
Ontem, antes de dormir, aprovei o último novo amigo que acabara de estrear na rede. Quando acordei, hoje, tinha outro e uma nova mensagem daquelas “seu amigo fulano_de_tal ingressou no Instagram com o nome de ciclano_de_tal”. “Legal”, pensei. Fui seguir a criatura e já havia 209 fotos inseridas! Todas do cachorrinho da criatura! Meu filho, ainda bem que não comecei a te seguir ontem, ou teria 209 fotos para baixar no meu app, e inviabilizaria eu prestar atenção nas de outros amigos que realmente me interessam. Será que você já parou de subir sua fototeca? Espero, ou vou te limar.
3. O INSTAGRAM NÃO É O FACEBOOK
Já não há opção de compartilhar por causa disso. Seja comedido. Poste imagens que valham a pena. Mais do que cinco imagens por dia você está correndo risco de ser mal visto. De uma a três é o ideal.
O Instagram é discreto, casual, fino (ehehhe). Está em conformidade com a nova onda do unfollow — onde o menos é mais. Aliás, onde o menos é a única coisa possível de se dar atenção e valor. Eu não quero dizer que fiquei triste com a abertura do aplicativo para Android. Sou democrático. Mas serei obrigado fazê-lo caso essa tendência inicial se confirme. Será que erraram ao expandir suas fronteiras?
Obrigado a todos que ajudaram. Impossível e injusto tentar citar todos. Teve quem só votou, quem não conseguiu mas divulgou, quem fez campanha, trocou ideia… Sem palavras. Não imaginei que eu conseguisse mais de 50 votos e tive 112. Mais do que 25% dos amigos do Facebook, onde fiz a base da divulgação.
Daqui pra frente será assim:
– ao todo serão 19 paredões, onde classificam-se os dois primeiros de cada;
– depois, serão dois com 19 em cada, e duração individual de uma semana, onde se classificam os 5 mais votados;
– os dez vão, aí sim, para o voto do júri.
Vou convocar todos novamente para a segunda fase!
Para quem não sabe o que estou falando é sobre o Concurso de Composição do Leoni (veja aqui e aqui).
Como já falei aqui, estou participando de um concurso de composição realizado pelo Leoni. Ele fez a música e os competidores têm que fazer a letra. Os finalistas serão escolhidos por votação popular. São 18 paredões com 16 concorrentes em cada. Os dois primeiros colocados são classificados.
PRECISO DA SUA AJUDA! O meu paredão é neste fim de semana e dura até segunda, 2/abr (eu acho). Cada pessoa só pode votar uma vez e precisa criar um cadastro no site do Leoni, irá receber uma senha por email e aí é só votar. CONTO COM VOCÊS.
Se não escrever agora, não escrevo mais. Seria uma lástima deixar passar em branco. Eu fui ver Roger Waters tocar The Wall em Porto Alegre. E isso não é pouca coisa.
Não lembro bem o ano em que fui apresentado ao álbum — foi quando conheci o Pink Floyd. Chuto 1988. Dez anos após seu lançamento. Um colega de colégio (Renato, Tatu) me convidou para ir ao Cine Pelotense ver o filme (lançado em 82). Acho que não tinha mais ninguém na sala. Chapei. Para quem vinha do punk, aquilo era muito diferente; difícil dar o braço a torcer. Por outro lado, extremamento sedutor. Gostei tanto que loquei e copiei o VHS. Havia legendas das músicas em português, mas eu queria cantá-las em inglês. Com pouco conhecimento da língua, fui tentando captar as palavras e datilografafa-as em uma máquina de escrever. A maioria não consegui entender. Com a ajuda das legendas e um dicionário português-inglês/inglês-português, tentava verter de volta ao inglês. A outra parte que achava que entendia em inglês, não estava sempre correta, apesar de fazer sentido pra mim e compreender o significado artístico. Ou seja, até hoje, canto versos errados, do jeito que conseguia compreender. Depois, comprei o vinil duplo, com encarte e letras, e escutei até furar.
Corta.
Roger Waters já esteve em Porto Alegre há dez anos. Mas não com The Wall. Não fui ver. Tanto Pink Floyd sem Roger Waters quanto Roger Waters sem Pink Floyd não fazem tanto sentido. A primeira opção ainda faz mais, enquanto show, pois, pra mim, que sou das antigas, música fora do contexto do álbum, perde muito, pelo menos em termos de conceito da obra. Como o repertório do Pink Floyd é melhor, fico com eles. Porém, assistir The Wall, completo, em um show de seu autor seria, e sempre será, imperdível. É o álbum inteiro! Conheço cada batida de porta, cada respiração, cada telefone chamando, cada passarinho cantando.
Tamanho da fila no Beira-Rio
Comprei o ingresso nos primeiros minutos em que as vendas iniciaram na Internet. Precaução que se mostrou desnecessária, pois apesar de cheio, ainda tinham disponíveis no dia do show. Os portões abririam às 16h. Chegamos, eu o Igor e Xandi, pelas 17h, mas ainda estavam fechados e a fila se arrastava por quilômetros do Beira-Rio. Foram abrir após às 18h, em uma falta de organização da produção local inversamente proporcional à qualidade do espetáculo que estávamos prestes a presenciar.
Eu tinha entrada para a pista e queria me posicionar em frente à mesa de som — tradicionalmente, o melhor ponto para se assistir qualquer show, pois é de onde o técnico mixa e equaliza os instrumentos; tudo é otimizado para aquele ponto de vista (ou de audição). Porém, a área VIP ia até lá e não permitia meu acesso. Como em qualquer megashow, estava mal posicionado, cheio de gente a minha frente. Não enxergava a base do palco. Ainda mais com a multidão toda, com os braços levantados, para gravar com suas câmeras — Porra, olha no Youtube! Compra o DVD! — Fui para trás da torre de luz e som da direita. Consegui uma visão melhor e desobistruída de mais da metade do palco. Quando abriu um espaço, me debrucei na grade que resguardava a torre e fiquei mais confortável do que previa.
Meu ângulo de visão
O que eu queria era imergir no espetáculo, sensação que megaeventos nunca vão conseguir. Mas me concentrei e me contentei com o que tinha, afinal, a maior opera rock da história estava a minha frente, em um espetáculo magnífico de som e luz, o que compensava todo o resto.
É muito ruim ir a um show no qual você não vê os músicos, tanto pela distância astronômica do palco, quanto pela estrutura do muro que vai sendo construído e cobrindo a banda. Mesmo as projeções ao vivo, que constumam ajudar nessa questão, só mostravam, além de Waters, o vocalista secundário, que fazia as vezes de David Gilmour nos duetos. Não me pergunte quantos guitarristas ou tecladistas havia. Não me pergunte se tinha outro baixista para quando Waters não tocava ou se o baixo era pré-gravado. Eu não sei. Muitas vezes fiquei em dúvida se a própria voz de Waters não era playback, em músicas mais complicadas como “The Trial”. Ninguém se questionou sobre a orquestra em “Bring The Boys Back Home”? Não havia, claro. E a voz? Era perfeita demais. Mas a tônica do show era tão diferente de questões como essas, que eu nem deveria levantá-las. É até injusto.
O espetáculo foi dividido em dois atos, conforme os discos do álbum duplo. No primeiro, o muro imenso, que ocupava toda largura so estádio, estava aberto no centro, em um corte em “V”. Os tijolos iam sendo assentados e cobrindo o pouco que se via da banda. As projeções em toda extensão do paredão, compensam, em dinâmica visual, o encobrir dos músicos. O segundo ato começou com “Hey You” sendo apresentada sem mostrar ninguém da banda, nem mesmo o vocalista que emula David Gilmour.
"Nobody Home"
Em “Nobody Home”, minha preferida, alguns tijolos do muro são retirados, revelando um quarto, de onde Waters canta. Esperava que o público fosse à loucura, mas parece que fui só eu. Estranho aguardar tanto pela canção e perceber que o resto das pessoas não compartilha da minha emoção. Agora, é claro que “Comfortably Numb” foi a mais aplaudida. Desconfio que 30% de quem estava lá só conhecia ela e “Another Brick in The Wall”, e que 50% conheciam apenas essas e “Run Like Hell”. E por “conhecer” quero dizer “ter ouvido no rádio ou em alguma festa”.
Há um momento em que um avião projetado despeja centenas de símbolos da foice e martelo, como se fossem bombas, e depois faz o mesmo com as marcas da Shell e da Mercedez-Benz. A massa foi a loucura, mas depois lotou o McDonalds da Silva Só, afinal, ninguém é de ferro e esses megashows dão uma fome de Big Mac e Coca-cola que te conto…
Para quem acha que só estou falando mal, deixo claro que foi o melhor show de grandes proporções que já vi. Melhor que U2 e que Police. Não vi o Paul McCartney. Se eu pudesse, teria ido aos 9 shows que Waters realizou há pouco em Buenos Aires. Eu disse “9 shows”! Argentino é foda!
Me irrita muito uma geladeira bagunçada. Entenda como “bagunçada” espaços mal utilizados e perdidos, coisas no lugar errado, falta de provisões de itens diários, incompreensão de seu funcionamento e do consumo de energia. Não reclamo nem pela bagunça por si só — cada relaxado que cuide das suas coisas. O problema é o tempo que se gasta com a porta aberta procurando as coisas ou tendo que reorganizar tudo a cada volta do supermercado. Geladeira aberta é desperdício de energia e risco para os alimentos que ela conserva.
Vamos direto aos pontos.
1. ESPAÇOS
Já perceberam que há diversas alturas de prateleiras e tamanhos de compartimentos? Eles devem ser aproveitados de forma inteligente. Onde colocar uma garrafa PET de 2 litros se no lugar projetado a elas está um vidro de maionese? Procure usar os espaços com algo que os preencha com exatidão. Assim, sempre haverá lugar para as coisas maiores. Antigamente, se dizia que era melhor não guardar garrafas na porta, pois pesavam e a empenavam. Bom, meu vô já morreu e não tem ninguém mais pra dizer isso. E quero crer que a tecnologia de hoje nos proporciona dobradiças mais resistentes.
2. PROVISÕES INTELIGENTES
Você tem que ter água sempre gelada (por exemplo) suficiente para as pessoas que moram em sua casa. Uma só garrafa, de qualquer tamanho, nunca será suficiente, mesmo que você more sozinho. Calcule a sede do pessoal e tenha sempre duas ou mais, para não faltar. Explico. Faça uma fila de garrafas, para seus monstros não tomarem de duas ao mesmo tempo. Ao acabar uma, reabasteça e passe-a para o final da fila. Também nunca encha uma garrafa antes do fim, a não ser que for passar ela pra trás. Isso serve para todos os itens que necessitam de reserva de acordo com volume de consumo.
3. MANTENDO A TEMPERATURA
Ao voltar do supermercado ou da feira, desempacote tudo antes de começar a colocá-los no lugar. Agrupe os que vão pra geladeira e guarde-os todos de uma vez. Se for usar as gavetas de legumes etc., tire-as fora e feche a porta. Organize e recoloque-as depois. Geladeira aberta aumenta a temperatura muito rápido, gasta mais energia e prejudica a conservação dos alimentos. A minha geladeira tem um display externo que mostra a temperatura. Deixo sempre em 4ºC e fico apavorado quando, mesmo com esses cuidados, ele chega a mostrar 10ºC ou 11ºC. Dependendo da estação do ano, leva horas até voltar ao ideal.
4. ALIMENTOS QUENTES
Sua mãe diz para esperar esfriar antes de refrigerar. Depois que inventaram a faculdade de nutrição, passaram a ensinar o contrário; que você deve guardar mesmo quente, para que o alimento não inicie prematuramente sua putrefação. Eu sou contra. Colocar algo quente na geladeira pode ser bom para o alimento em questão, mas não para os demais que lá estão. Lembro sempre do meu display de temperatura indo às alturas.
5. O OVO
Alguém disse pra não guardar ovos na porta, pois ali a temperatura oscila mais. Ah, por favor! Como é que em um espaço de cerca de um metro cúbico vai ter tanta variação de temperatura? Só pelo deslocamento de ar que fechar e abrir a geladeira cria, o equilíbrio térmico é rapidamente alcançado. Entre a parte superior e inferior sim, pode haver significativa diferença, devido à maior densidade do ar frio. A porta é perfeita para os ovos, tem até os buraquinhos que imitam o cu da galinha. Tem gente que guarda ovos fora da geladeira! Também, ninguém vai querer os mesmos ovos por mais de duas semanas.
6. DESCONGELANDO ALIMENTOS
A melhor forma é tirando-os do freezer e colocando na geladeira. Leva mais tempo, claro, mas com um pouco de previsão, você consegue. Além de ser melhor para a qualidade do descongelamento e da conservação do alimento, tem uma vantagem que poucos se dão conta. O produto congelado ajuda a manter a temperatura baixa na geladeira e a economizar energia. Tchã-nam!
Não é difícil se você praticar. Sua conta de luz também agradece.
Tem quem ache que sinceridade é uma grande qualidade do ser humano. Eu não. Também não é a pior, óbvio. A questão não é essa. O fato é que sinceridade não eleva o caráter de alguém mais do que um nível. Um filho da puta sincero só é melhor do que um filho da puta falso.
Tem gente que gaba-se por ser e esquece de avaliar suas demais características. Não estou dizendo que não se deve ser sincero e nem depondo contra quem é. Que fique claro.
Hitler foi um sincero incondicional. Conseguiu cativar uma nação sem esconder suas ideologias, aliás, pregando-as. Sinceridade não leva ninguém para o céu. Se sua maior qualidade é essa, e se você acredita em Deus, prepara-se para queimar no fogo do inferno, ou arranje urgente uma personalidade mais rica em valores.
Minha mulher, Stela — italiana pura de pai e mãe — tem direito a solicitar sua cidadania nesse país. Por ser algo bem complicado e demorado de agilizar, nunca foi atrás. Porém, surgiu uma oportunidade. O tio dela encaminhou toda a papelada, que inclui certidões de nascimento e casamento de toda sua ascendência. Portanto, o caminho está aberto, basta dar entrada como “portador de título” (brincadeira). Ou seja, se já há alguém da família que requisitou, é só informar o número do processo e tudo sai mais rápido.
A segunda boa notícia é que como o esse tio é o irmão da mãe e não do pai, a possibilidade de cidadania é ampliada pra mim, “o marido”. Logo eu, um reles mistureba de português, francês e sabe-se-lá-o-quê-mais (inclusive italiano). Fiquei pensando nas vantagens de ter um passaporte da Comunidade Europeia, mas me ocorreu algo perturbador: ao se tornar cidadão de um país qualquer, imagino que se adquire não só os direitos de seus compatriotas como também os deveres. E aí a coisa começa a pegar. Quais seriam os deveres de um italiano?
Imagino a lista:
– é proibido cortar o macarrão;
– só é permitido fazer pizza Margherita, com mussarela de búfala, molho de tomate e manjericão;
– é preciso aprender truco jogando, e tendo as regras explicadas durante o próprio jogo, por um italiano ou descendente puro, que não admite substituir os termos técnicos e nomes de jogadas e macetes por outros mais didáticos — tipo aprender a falar japonês com um japonês que só fala japonês;
– há de se tomar vinho caseiro em toda refeição, em uma quantidade que projete a soneca pós-refeição;
– polenta pré-pronta nem pensar — tem que ser feita no muque com apenas farinha de milho, água e sal;
– deve-se receber italianos, membros distantes da família, uma vez por ano, durante 3 semanas, em nossa casa no Brasil — país que eles adoram porque tudo é mais barato — e levá-los para fazer compras em Ciudad Del Leste, Paraguay.
Sabe o Leoni? Ex-Kid Abelha, ex-Heróis da Resistência… “Garotos”, “Alice”, “Lágrimas e Chuva”, “Como Eu Quero” e todas os demais hits do Kid Abelha do começo da carreira. Pois ele está organizando o IV Concurso de Composição Leoni. Funciona assim: ele compôs uma melodia, gravou sobre harmonia e arranjo e disponibilizou para baixar os áudios com a melodia (“na, na, na nááá…”) e com somente a base. Os candidatos devem fazer uma letra que encaixe na melodia, gravar um vídeo (não sei pra que mostrar a cara, mas…), publicar no Youtube e se inscrever no site. Depois de 7 de março, abrirão votações populares que elegerão os finalistas. O que está em jogo é apenas a letra e não o vídeo. O vencedor será escolhido por juízes designados por Leoni e, acredito, óbvio, por ele próprio.
Tomei coragem de colocar a cara a tapa e fiz minha sugestão. Olhe abaixo. Vou precisar da sua ajuda, se gostar dos meus versos, é claro. Mas eu aviso pelas redes sociais quando for momento de votar.
Não teve uma vez em que estivemos em Palmas e tenhamos deixado de dar uma passadinha no hospital. Calma. Nenhuma tragédia. Uma vez a mãe da Stela estava desidratada e ficou uma noite no soro. Outra ela estava internada mesmo, por problema de saúde. Noutra a Malu bateu com o dente na testa do primo. Há dois anos e meio, a Alice teve uma febrinha e levamos na Unimed. Desta vez, fomos com a Alice à Unimed novamente.
Ela estava sentindo uma dorzinha para fazer xixi e resolvemos ir ao pediatra de plantão. Uma hora para ser atendido mesmo ser não criança alguma na fila — explica! Se o plano particular do Brasil é assim, imagino o SUS do Paraguay. Entramos no consultório e, sem nem um boa-tarde, o médico me solta em portuñol tocantinense: “¿que pasa?“. Lembrei novamente do Paraguay. Alice achou divertidíssimo e ficou imitando ele falar. Perguntou “¿Toma baño de água corriente ou de bañera? (dizem — “dizem” — que eles não têm chuveiro no Paraguay). “Chuveiro!”, respondemos, “mas tem tomado banho de piscina”, para não dizermos “de lago também”. Mal olhou para a cara da criança, quanto mais a examinou, e deu o veredito (quer dizer, o diagnóstico): “¡infección urinária!“. “E não precisa fazer exame de urina?” — somos curiosos. “¡No!“. Tá bão, então. Receitou um antibiótico.
A dorzinha para urinar tinha passado, mas chegando em casa resolvemos ligar para nosso herói, doutor Chiucheta, em Pelotas. “Claro que tem que fazer exame de urina, antibiograma com cultura!” Não tínhamos prescrição. Poderíamos pagar particular e resolver o caso, mas decidimos voltar à Unimed no dia seguinte para outra consulta e pedir para o paraguaio prescrever.
Depois de uma hora e meia de espera, agora sim com bastante gente aguardando, fomos atendidos por outro plantonista. Eu cantei a pedra pra Stela, dizendo que ele não aceitaria cumprir com uma solicitação de um colega e indicar o exame. É o orgulho médico. E, mesmo se aceitasse, sugeriria uma análise diferente. Dito e feito. Pediu um exame simples e não de cultura. Se desse alguma coisa, aí sim, pediria o segundo. A Stela ainda perguntou se não poderíamos fazer os dois ao mesmo tempo. Ele deu a maior engambelada da história da medicina contemporânea. Disse que não era possível com uma única amostra, porque o de cultura se faz com coletor esterilizado e o simples não. “Cuma?!” Eu dividiria a amostra e cuspiria dentro da do simples se fosse preciso.
Mesmo a Alice não sentindo mais dor, autorizamos os exames, um pelo plano e o outro particular, com a mesma amostra, claro. O prazo é de 3 dias para ficarem prontos. Hoje é segunda e viajaremos na quarta. Mesmo a atendente insistindo e discutindo que de segunda à quarta são três dias — e que daria tempo — a gente vai pedir para alguém pegar na quinta e nos enviar, porque o pessoal da Unimed também não consegue mandar email.
Coelho me levou para tomar café da manhã em uma padaria chamada Roma. Provável inspiração em “quem tem boca vai a Roma”.
Nada demais para relatar senão pela atendente simpática e engraçada. Mas vamos aos fatos. O café se serve de garrafas térmicas dispostas no buffet. Uma tem café preto, outra leite e a terceira chocolate quente. Servi café e leite. Pedi um misto de queijo e presunto (quase cometi “uma torrada, por favor”). Quando a atendente trouxe à mesa, pedi açúcar, sem saber que o café já estava adoçado na térmica (WTF?). Sorte que o Coelho havia provado e me alertou. Vale dizer que nosso sotaque gaúcho é tão denunciante quanto o deles, e a calanga, que já deveria estar me achando esquisito, provavelmente realizou que todos gaúchos tomavam café mais doce que doce de batata-doce.
Para anotar o consumo na comanda, olhou para dentro da minha xícara e perguntou: “é leite ou café?”. Imaginei que deveriam ter preços distintos, deduzi a impossibilidade de calcular o percentual de cada um na mistura e questionei: “vocês, aqui, não tomam café com leite?”. Ela surpreendeu na resposta: “Ô! Tem gente que toma até suco com chocolate quente!”
Acabei sem saber, afinal, quanto custa uma xícara meio café/meio leite, até porque o Coelho me fez uma cortesia. Acho que voltatei à Roma (com crase, pois trata-se da Padaria) para experimentar o suco com achocolatado.