Clientes pacientes

Consultórios médicos sempre me intrigaram.

Já repararam como alguns “doutores” se sentem super-heróis ou pop stars inacessíveis? Falo especificamente do momento em que eles cruzam atrasados, pela sala de espera, para o primeiro atendimento. A maioria nunca cumprimenta. Passa reto. Quando o “próximo” entra em seu consultório, finge que está vendo a pessoa pela primeira vez (provavelmente, até está, mesmo) e é todo simpatia. Faz parte da magia.

E a pontualidade? Médico sempre atrasa. A gente marca hora mas nunca é atendido quando combinado. É incrível que as secretárias — que, no geral, ficam anos com o mesmo médico — não tenham a mínima idéia da média do tempo que ele leva em consulta normal ou revisão, nem do quanto seu chefe costuma atrasar sua chegada diariamente. Se tivessem, usariam a agenda de forma mais inteligente. Se você tem hora no final do período, pode estar certo que esperará muito para ser atendido. Mas muito mesmo. É aconselhável ligar antes ir para não perder tempo. Assim como ser um azulzinho, às vezes tenho vontade também de ser secretária de médico. :)

E os propagandistas de laboratórios farmacêuticos? Por que não é exigido que marquem hora? Passam na frente de todo mundo. E nem doentes estão. Claro que isso não acontece nos consultórios psiquiátricos, onde você é um pouco mais cliente do que paciente, pois cobra-se por hora e, aí, time is money. Lá os propagandistas não são atendidos fora de hora.

Há algumas semanas, fui consultar com um conhecido dermatologista. Meu horário era às 14:20. Já havia marcado no começo do dia para evitar contratempos. Cheguei às 14:19, como um perfeito e legítimo chato virginiano. Adivinha? “O doutor está atrasado. Tem 4 na sua frente.” “Mas como?”, indaguei. “A que horas ele começou a atender de tarde?” “A uma e meia.” “E ainda tem quatro na minha frente?” “Pois é. Sabe como é… O pessoal dos laboratórios tem preferência.” Meu sangue ferveu. “Ah, é? Tem preferência? Deve ser porque eles trazem brindes, né?”, ironizei. “Antes fosse… Hoje em dia é uma dificuldade arrancar uma canetinha que seja deles”, disse simplória a secretária. Tive que rir.

O Imbecil x O Chato

Entre os diversos tipos de imbecis, fiquei, recentemente, encucado com um deles. Já não é a primeira vez que esse vem ao meu blog me chamar de chato. Fiquei em dúvida se eu deveria ou não dedicar o meu tempo a um tipinho desse gabarito, mas como resolver o impasse estava tomando muito tempo (mais de 15 segundos) e eu achava que precisava de um novo post, resolvi escrever. Afinal, esse tipo de assunto deve ser comentado pois trata-se de uma dessas doenças do mundo e merece atenção, assim como o aquecimento global e o desarmamento da população.

Eu fico imaginando o que faz o imbecil procurar com determinada freqüência minha página se me considera um chato.

Opção 1 – a mais simplista: o imbecil é também masoquista.

Opção 2: ela acha o mundo inteiro chato mas meu blog um pouco menos, então, apesar adjetivar-me dessa forma, encara este espaço como um lugar de certo alívio. É como estar queimando a 300ºC graus e buscar um descanso aos 200ºC. Vai entender…

Opção 3: além de imbecil é, infelizmente, um vagabundo sustentado do pelo pai que, como não tem nada que fazer, fica entrando em blogs alheios para xingar anonimamente as pessoas.

Opção 4: ele não é um vagabundo, mas usa o seu tempo livre para ficar lendo o que eu escrevo, ao invés de estar com sua família ou amigos. Ah! Acho que descobri: ele não tem família e nem amigos, é claro. Ninguém gosta de se envolver com um imbecil.

Por outro lado, fico muito feliz de ser um chato. Aliás, está escrito no cadastro do perfil deste blog algo que eu digo sempre: “os chatos salvarão o mundo”. Só não sabia que eu estava com essa bola toda. :)

Detritos Cósmicos

Estou com medo de ouvir Frank Zappa. Conheço sua voz, mas não sei cantarolar nenhuma de suas melodias. É uma falta. Grave. Gravíssima. Das piores. Dezenas de pontos na carteira – de músico (que não tenho).

Comecei a ler o livro, organizado por Fabio Massari, em sua homenagem. Não tenho nenhuma música. Fico imaginando. Cada colaborador da publicação tenta me convencer que Frank é um gênio. Eles descrevem suas obras. Quero baixar todos os seus trocentos discos. Mas não tenho coragem. Estou com medo de começar pelo álbum errado. Será que existe algum “álbum errado”? E se eu não entender o contexto? E se eu não estiver preparado? Cadê o manual? Pensei em fazer um acordo comigo mesmo: não escuto nada, acabo o incrível livro – páginas totalmente parciais – e finjo, com toda a minha força, que sou fã do Mestre desde pequeno. Alguns o classificam como um Deus. Se assim o for, meu raciocínio faz sentido: não é preciso ver (no caso, ouvir) para crer. Mas sempre fui ateu. Tá bom, talvez semi-ateu. Fico confuso.

A capa do livro me convida. Ele está olhando pra mim. É um chamado. Estou com medo de Frank Zappa. Alguém me ajuda?

Vasculhando minhas pastas no micro, achei a “CD Chain 2”. Temos um grupo de discussão de remanescentes do UNS ROCK e fizemos duas correntes de CDs, onde um personalizava um CD para outro. Tipo um amigo-secreto, só que de CDs. Na segunda edição, tirei a Gabi e fiz um CD com músicas que eram importantes para mim nos anos 80, principalmente (e são, ainda, por que não?). Tinha direita à capinha e comentário. Resolvi colar aqui, antes que eu perca :)

Cuscutlan – Frente! / Marvin The Álbum (1994)
Comprei o disco por causa (claro) do cover da Bizzare Love Triangle e, para minha surpresa, as demais músicas eram muito melhor do que isso. A banda australiana acabou. Depois Angie Hart (se não me engano o nome) fez um duo com um cara, que chamou-se Splendid. É legal, mas não tão original. A gente tocava isso na época que a Doidivanas era uma banda cover. Frente! Reforçou meu gosto por mulheres vocalistas com vozes angelicais.

Kid Abelha – Uniformes / Educação Sentimental (1985)
Da fase quando o Kid Abelha tinha o Leoni. Uma vez, fizemos uma banda com quem tinha na aula e tocamos essa música em 91 (eu acho), em uma apresentação dentro da disciplina de português. Tá, não vou explicar tudo que é muito longo.

Brasília – Plebe Rude / O Concreto Já Rachou (1985)
Na minha fase punk, Plebe Rude era o mais pop dos chamados “punks”. Hoje, a gente vê que de punk não tem nada (só o discurso, mas muito mais bem elaborado do que as demais bandas que eu escutava – Cólera, Grinders, Garotos Podres, Olho Seco, Vírus 27, Tropa Suicida …). Além dessa música ser boa, o que mais eu gosto é que tenho a impressão que eles fizeram a harmonia de base primeiro e cada um dos vocalistas levou para casa e vez sua melodia. Aí, cada um encaixou a sua e cantaram juntos. Acho demais.

Mobral – Casseta & Planeta / Preto com Um Buraco no Meio (1989)
Este disco é muito bom. Muito especial. Não era, como agora são os lançamentos deles, um caça-níqueis. Foi muito bem feito, tocado só por feras como Egberto Gismonte, Léo Gandelman, etc. O talento musical desse disco fica por conte de Mu Chebabi (membro escondido do grupo), que compôs as músicas e canta algumas, por exemplo, esta. A melhor fase do Casseta & Planeta. A gravação é ruim, pois é de vinil e feita sem equipamento bom.

Private Investigations – Dire Straits / Love Over Gold (1982)
Com a coletânea Money for Nothing eu comecei a sair do punk e perceber que música era muito mais do que eu achava que era. Na guitarra de Mark Knopfler, descobri o lado da emoção; descobri que uma melodia bem colocada, uma nota precisa, poderia levar a gente para um lado que eu nunca tinha ido. Foi nessa onda que eu comecei a ouvir o The Wall. Hoje, Dire Straits me parece um pouco simplório e o Mark Knopfler nunca mais fez nada que prestasse, apesar de eu comprar vários discos solo dele e ser capaz de comprar até hoje.

A Revolta dos Dândis 2 – Engenheiros do Hawaii / A Revolta dos Dândis (1987)
Claro. Óbvio. Quem não ouviu Engenheiros? Esse disco é o melhor até hoje. Nos seguintes eles começaram a se achar muito músicos e começaram a fazer pouca música. Este ainda é bastante sincero.

Acrilic on Canvas – Legião Urbana / Dois (1986)
Hoje eu tenho um baita preconceito contra a Legião. Mas depois de Blitz e RPM, este disco deles foi, junto com o primeiro dos Engenheiros, um dos meus primeiros discos de rock (fitas, diga-se de passagem). Essa foi uma das poucas músicas que não tocaram muito desse disco. Eu gosto dela.

A Vida Não Presta – Léo Jaime / Sessão da Tarde (1985)
Eu não era fã do Léo Jaime, mas não havia como não ouvir, pois tocava em todos os lugares. Tenho que confessar que hoje ele seria um dos meus ídolos. É uma espécie de Frank Jorge, só que mais talentoso. E mais pop também.

Underwater Love – Faith No More / The Real Thing (1989)
Eu conheci Faith No More antes do Rock in Rio que eles vieram; antes de ter clipe na MTV. Aliás, só assistia MTV quem tivesse antena parabólica. Eu não tinha. Essa foi uma daquelas fitas que um grava pro outro, que grava pro outro… Nem sei qual foi a fonte original. Acho que foi o Schaun ou o Abelha. Grande banda. Pena que acabou. Hoje fico pensando se Faith no More não equivaleria a asneiras atuais como Linkin Park e demais bandas de new metal totalmente montadas.

Jokerman – Caetano Veloso / Circulado Vivo (1992)
Não sou fã fervoroso do Caetano, mas gosto dele. Não tenho muitos discos e nem acompanho sua carreira, mas este, ao vivo, eu curti muito. Devemos admitir que o cara é muito talentoso. Uma vez, eu ouvi ele dizendo que não se considerava um músico; ele era um cineasta. Só que cinema ele não conseguiu fazer, mas música sim. Eu entendo em parte. Comparando ele com o Gil, ele é mais “artista” e o Gil mais “músico”. Ou seja, Caetano tem a visão global e poderia fazer qualquer tipo de arte, Gil tem o dom musical. Por isso que eu gosto mais do Caetano.

Tag Team Partners – Living Colour / Time´s Up (1990)
Escutar Living Colour hoje é difícil. Apesar de ter sido importantíssimo pra mim, fica meio vago demais e as coisas parecem meio sem sentido. É meio como o Faith No More, mas pior. Por isso, escolhi uma vinheta ao invés de uma música. Eu sempre gostei dela e já a usei para diversos fundos musicais em várias oportunidades.

Os Metaleiros Também Amam – Língua de Trapo / Festival dos Festivais (1985)
Quem diria que em 1985 já tinha gente fazendo metal-brega? Se prestar bem atenção, até meio milonga é. Eu tinha uma fita do Festival dos Festivais e, é claro, gostava, entre outras,  também da Condor de Oswaldo Montenegro (mas essa eu não faria o desfavor de colocar na seleção). Óbvio que perdi a fita, por isso eu ia colocar uma versão de um disco ao vivo do Língua de Trapo, mas não é tão legal (apesar de ser totalmente Massacration). Portanto, achei essa na Internet, em qualidade muito da duvidosa… Mas, pensando bem, deve ser da mesma qualidade que a minha fita tinha.

Músico – Os Paralamas do Sucesso / Severino (1997)
Com letra do Tom Zé e música de Bi Ribeiro e Herbert Vianna (quase nunca Bi compõe), esta nem é tão velha assim, mas escolhi por representar os Paralamas e um dos álbuns que mais gosto deles (por que será que os melhores álbuns são os que vendem menos?).

Nobody Home – Pink Floyd / The Wall (1979)
Eu fui ver o filme The Wall em uma reprise no Tabajara com um amigo meu que gostava (lá por 87, eu acho). Nunca tinha parado para escutar Pink Floyd e talvez nem estivesse preparado para isso. Me marcou muito e virou meu álbum de “cabeceira” por muito tempo.

O Drama de Angélica – Tangos & Tragédias (1988)
Antes mesmo de eu ir ver o espetáculo, o Martins tinha este vinil que eu gravei e ouvia direto. Depois vi mais de 4 vezes. Agora está cada vez mais ficando chato de assistir (também, pudera). Acho até que esta música eles tiraram do repertório para colocar coisas novas (não tenho certeza). Gosto das rimas proparoxítonas.

Here Today, Gone Tomorrow – Ramones / Rocket to Russia (1979)
Preciso falar alguma coisa de Ramones?

Pretty Little Ditty – Red Hot Chili Peppers / Mothers Milk (1989)
Na onda do funk metal, na qual era impossível não se envolver, os Chili Peppers eram os percussores. Este, depois do Blood Sugar, é o disco deles que mais gosto e esta, uma música um pouco atípica deles, que acho que abriu novas possibilidades para o referido álbum seguinte.

O Beijo da Aranha – Blitz / As Aventuras da Blitz (1982)
O primeiro disco de rock que eu tive foi o single da Você Não Soube Me Amar, que de um lado tinha o hit e do outro o Evandro Mesquita gritando “nada, nada, nada, nada”. Depois ganhei da mãe a fita do álbum inteiro. Eu tinha 8 anos. Em circunstâncias normais, talvez eu colocasse aqui a faixa “O Romance da Universitária Otária”, mas como eu já a coloquei no meu CD-convite de casamento, escolhi outra que a Gabi ainda não conhece (eu acho).

Fallin’ – Teenage Fanclub & De La Soul / Judgment Night (1993)
Trilha sonora original do filme. Toda feita com encontros de bandas. Como eu poderia deixar de ter um disco com Faith No More, Living Colour, Pearl Jam, entre outras, fazendo parcerias inéditas? Teenage eu nem ouvia na época, mas a música é legal e se justifica hoje.

Wrapped Around Your Finger – The Police / Every Breath You Take: The Singles (1986)
A música, na verdade, é do Synchronicity (83). Mas eu gostava mesmo era da coletânea, onde todas eram do caralho. Melhor do que Police, só mesmo os 3 discos da fase do Sting entre Soul Cages e Mercury Falling, incluindo o Ten Summoner´s Tales. O resto da carreira solo é deprimente.

Pavimentação – Titãs / Go Back (1988)
Não. Titãs não poderia ficar de fora. Esta música foi gravada originalmente no disco Televisão, onde os Titãs ainda estavam naquela de iê-iê-iê. Mas esta versão é matadora. Gravada na Suíça, no Festival de Montreaux. A gente tocava isso na Miss Troupe e, talvez na Doidivanas, não lembro. Era muito massa.

Garçon…

Por favor, uma água. Sem gás. Sem gelo. Sem limão. Sem açúcar. Sem ser diet. Sem sal. Sem pimenta. Sem alface. Sem cebola. Sem bacon. Sem ovo. Sem maionese. Sem borda recheada. Sem azeitona. Sem camisinha. Sem pintura metálica. Sem vaga na garagem. Sem abas. Sem cara de nojo. Sem reclamação. Sem má vontade. Sem glúten. Sem demora. Sem erros. Só uma porra duma água! Sem cuspe. Só água!

Agora

No primeiro trabalho solo de Arnaldo Antunes, ele conta a vida ao contrário. Da morte ao nascimento.

AGORA QUE AGORA É NUNCA
AGORA POSSO RECUAR
AGORA SINTO MINHA TUMBA
AGORA O PEITO A REBUMBAR

AGORA A ÚLTIMA RESPOSTA
AGORA QUARTOS DE HOSPITAIS
AGORA ABREM UMA PORTA
AGORA NÃO SE CHORA MAIS

AGORA A CHUVA EVAPORA
AGORA AINDA NÃO CHOVEU
AGORA TENHO MAIS MEMÓRIA
AGORA TENHO O QUE FOI MEU

AGORA PASSA A PAISAGEM
AGORA NÃO ME DESPEDI
AGORA COMPRO UMA PASSAGEM
AGORA AINDA ESTOU DAQUI

AGORA SINTO MUITA SEDE
AGORA JÁ É MADRUGADA
AGORA DIANTE DA PAREDE
AGORA FALTA UMA PALAVRA

AGORA O VENTO NO CABELO
AGORA TODA MINHA ROUPA
AGORA VOLTA PRO NOVELO
AGORA A LÍNGUA EM MINHA BOCA

AGORA MEU AVÔ JÁ VIVE
AGORA MEU FILHO NASCEU
AGORA O FILHO QUE NÃO TIVE
AGORA A CRIANÇA SOU EU

AGORA SINTO UM GOSTO DOCE
AGORA VEJO A COR AZUL
AGORA A MÃO DE QUEM ME TROUXE
AGORA É SÓ MEU CORPO NU

AGORA EU NASÇO LÁ DE FORA
AGORA MINHA MÃE É O AR
AGORA EU VIVO NA BARRIGA
AGORA EU BRIGO PRA VOLTAR

AGORA

A Dama da Água (Lady in The Water)

Ponto alto do filme

Lá vem o Cuca de novo falar do Shyamalan. Sim, finalmente, eu vi A Dama da Água. Depois do filme ser açoitado pela crítica e esnobado pelos espectadores, minha expectativa com relação a ele deveria estar baixa. Mas como eu estou acostumado a esse tipo de opiniões, desprovidas de crédito algum, com relação aos filmes de Shyamalan, fui esperando ser surpreendido por algo bom, no mínimo. Também estou me doutrinando a não levar preconceitos para a sala de cinema e nem para a minha própria, o que, sem dúvida, se eu obter sucesso na empreitada, me fará uma pessoa melhor.

Por que as pessoas não gostaram, a priori?

Trata-se de uma fábula, só que transcorrida em um ambiente contemporâneo, em meio a pessoas comuns. Quem é fã do Senhor dos Anéis, certamente deve ter torcido o nariz para a história. Não tem o cenário, o figurino, os efeitos visuais, os copy+paste e nem, muito menos, a pretensão da trilogia e seus clones. Se assim fosse, todos amariam. O público convencional, realmente não está acostumado a engolir produções que não vêm, de fábrica, mastigadas, salivadas e cheias de catchup. Os personagens do filme, não questionam as sobrenaturalidades que vão acontecendo. Todos acreditam piamente na história que o protagonista Cleveland (o excelente Paul Giamatti), está embarcando. E isso, talvez seja outro motivo para o desagrado do espectador. Afinal, ninguém tem orelha pontuda, nem é anão ou morto-vivo – são pessoas como eu e você – e, segundo a realidade e o convencionalismo adotado por Hollywood, pessoas normais não acreditam facilmente nas outras e no fantástico. Mas Night Shyamalan sabia disso e, para levar às telas o conto-de-fadas que criou para seus filhos, colocou um personagem para dar um tapa-com-luvas-de-pelica em seus mais fervorosos críticos. Mr. Farber (Bob Balaban) interpreta um desse tipo. A cena em que sucumbe, devido a sua própria incredulidade diante de uma história fora dos padrões, é o ponto alto do filme.

No mais, é um filme muito bom que mostra como as pessoas de hoje dão mais atenção aos acontecimentos externos do que aqueles que se passam dentro delas mesmas.

Clipes

Levar 5 anos para ficarem prontos não significa que resultou nos melhores clipes do mundo. A falta de quem editasse os dito-cujos no “amor” é que causou o atraso. Aproveitei minha jornada para dentro do mundo da edição não-linear, por conta do nosso DVD, para desencavar projetos antigos e abandonados. O resultado são os clipes da nossa música “Minha Vida” (Água de Melissa) e da “300 Noites” da Doidivanas, ambos registrados mais ou menos na mesma época. “Minha Vida” teve o apoio de Deny Barboza (da Capitão Araújo) na câmera e de Wagner D’Oliveira dando assintência na produção. No “300 Noites”, fui assistido na produção por Raquel Heidrich, Jaques Rangel, Rui Madruga e Cassiano Gasperin. Cada um dos clipes custou, mais ou menos, R$10,00 – o preço de um fita miniDV na época.

Os 2 estão no You Tube:

Você não comenta em um blog, quando:

1. você não tem nada a falar sobre o assunto – é claro;
2. você não quer que a pessoa saiba que você é visitante assíduo;
3. você estava indo comentar, mas a pessoa que o fez, antes de você, disse exatamente o que você diria;
4. você estava indo comentar, mas a pessoa que o fez, antes de você, escreveu algo tão constrangedor, que nunca seria escrito por alguém de bom-senso, que comentar a seguir dela denunciaria que você leu o que ela disse. É embaraçoso demais. Não dá nem pra fingir que não leu. Você prefere fingir que passou batido pelo post e seus comentários;
5. você sabe que tudo o que poderia ser dito só geraria conflito desnecessário e ainda te achariam um chato. Releve.

Ah, o cocô nosso de cada dia!

Entre manter um baldinho de merda no banheiro ou correr o risco de entupir o vaso sanitário, eu prefiro a segunda opção. Entre ter que recolher diariamente papéis cagados do baldinho de merda ou assumir o risco de entupir a privada, eu fico com a segunda opção. Entre milhares de papeizinhos cagados voando pelo ar em um aterro sanitário, da lixeira revirada por cachorros em frente a minha casa, do caminhão de lixo, até, ou arriscar de entupir a latrina, eu continuo, mesmo, com a segunda opção.

Há, pelo menos, 23 anos eu coloco papel higiênico no vaso. Estou na terceira casa, desde então, sendo que em uma delas eu morei por 16 anos. Somando todos os meus lares, se tive 5 entupimentos, foi muito. E nada que eu mesmo não resolvesse em 2 minutos. O papel se decompõe muito mais rápido na água do que na terra ou no ar. É muito mais ecológico do que mandar os seus “envelopinhos carimbados” para ficarem voando em um lixão, caindo em qualquer lugar e poluindo, não só visualmente, o meio. É claro que não aconselho a todo mundo que coloque papel em seu vaso se a bitola de seu (calma, não vou falar besteria)… … se a bitola do encanamento do seu banheiro foi subdimensionada. Mas aconselho, sim, que, ao construir, dêem atenção ao correto diâmetro das tubulações para que elas permitam esta prática muito mais higiênica e ambientalmente menos nociva. Aconselho também que condicionem seus intestinos a liberarem-se, diariamente, no horário antes de um banho, o que facilita muito e garante um bom acabamento na limpeza; que gastem a quantidade mínima de papel para fazer um serviço bem feito, prefirindo despender maior volume de celulose mandando cartas para os amigos distantes, desenhando com giz, nanquim, lápis, escrevendo diários, ou fazendo qualquer outra atividade com um pouco mais de glamour do que limpar a bunda com uma quantidade enorme de papel. E não me culpem! Eu não gastei nenhum centímetro de papel para escrever isto. Ah! E, antes que alguém levante a mão amarela para me acusar, eu não tenho a bunda nem os dedos sujos! :)

(Se alguém souber de algum aspecto técnico que eu desconheça, por favor, deixe-me saber.)